sábado, 23 de janeiro de 2010

A língua



Como muitos portugueses, eu amo o meu país. Aquilo que nós somos, parte vem da cultura, do país onde vivemos.
Mas como adolescente atenta não pude deixar de reparar em algumas das expressões estúpidas que fazem parte do nosso dia-a-dia. E essas expressões são tão vulgares que por vezes nem nos apercebemos daquilo que estamos a dizer.

Umas das mais vulgares e usadas: "Não é por nada." ou "Não tenho nada." Estas expressões não têm a minima lógica. Se não é por nada, é por tudo; se não tenho nada, tenho tudo.


Mas há mais:
"Quando cheguei já era de manhã." Já remete para presente, momento, agora e o era, é o verbo ser no passado. Há aqui uma mistura de tempos. Mas afinal é passado ou é presente?



"Queres vir ver?" Desta vez existe uma repetição. Se perguntassemos apenas se o outro queria ver, se a resposta fosse sim, automaticamente o outro teria de vir para ver, ou seja, na pergunta, o vir é desnecessário.



"A comida está na mesa." A palavra comida não tem lógica. Comida, passado composto do verbo comer. Mas se nos encontramos no presente, ou seja, antes do acontecimento, porque é que chamamos à comida comida antes de ser executado o acto de comer?
O mesmo acontece com a bebida.

Enfim, é confuso ou não é confuso?

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