O silêncio.
O silêncio era medonho para mim, era uma coisa estranha, sem sentido.
O silêncio fazia-me pensar e coisas que eu queria evitar, que me deitavam a baixo.
O silêncio levava-me para campos desconhecidos do meu ser onde era muito dificil de saír sem me magoar.
Até mesmo nos meus tempos mortos, aqueles em que estou sozinha, à noite, no meu conforto, tentava quebrar o silêncio com música, uma chamada para alguém, ou até mesmo com as pontas das unhas produzindo uma espécie de ritmo até adormecer.
Mas mesmo assim, decidi arriscar. Vivi, neste fim de semana um retiro, onde passei 1dia e meio sem falar. Só Deus teve oportunidade de me ouvir nesses dias.
No inicio custou passar pelas pessoas e não poder dizer um olá.
Recordo-me até, que na primeira manhã, pensava: "Nunca mais chega a domingo. Estou aqui com pessoas que já não vejo à imenso tempo e não posso pôr a conversa em dia?".
A primeira refeição em silêncio foi, talvez, o momento que mais me custou durante todo o retiro. Estavamos todos ali como se fossemos desconhecidos ...
Mas depois, com o passar das horas, e com a ajuda do Sr. padre Quinteiro, a tarefa foi-se tornando mais fácil e até me senti confortável com esse silêncio.
Até que percebi que o silêncio não era nada daquilo que eu pensava.
Eu percebi, que no silêncio, Deus me falava.
Então, no primeiro momento de reflexão, entreguei-lhe uma folha de papel em branco, e ao longo do dia ele foi escrevendo nessa folha as respostas aos meus problemas, como eu tinha de agir para os resolver, ....
Foi então que pensei: "Nunca imaginei que o silêncio me falasse tanto."
Hoje, a minha oração está muito mais fortalecida e EU sinto-me muito mais capaz e amada.
Aprendi que Ele está comigo sempre, e hoje, no meu conforto, em silêncio, deixo que Ele me fale todos os dias.
Obrigada ACR por fazeres parte da minha vida.
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