segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dia cinzento


Sento-me no escuro, fecho os olhos, a minha mente está vazia, não penso em nada;
As minhas pernas doem, os meus músculos pedem descanço, os meus olhos escondem-se, as minhas mãos estão geladas, as minhas costas começam a ceder, o meu corpo treme, a minha garganta borbulha e o meu nariz arde;
As pequenas gotas deslizam pelo meu rosto abrindo caminhos de entre as minhas feições.
Sou pequena, esmagada, empurrada, amassada por todo o sarcasmo e ironia, por toda a indiferença e paisagem.
Sou apenas mais uma que vai pisando algumas ervas.  
Não quero mais nenhum barulho a não ser o da minha consciência. Calem-se as vozes, calem-se os ruidos, apenas se calem. Que predomine o nada, o vácuo, a ausência ...

"Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada."

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